Sessão de abertura do Seminário sobre o Regime Jurídico da Contratação Pública.
-Excelência, Senhora Secretária de Estado das Finanças, -Excelentíssimos Senhores Delegados Provinciais de Finanças -Caros Convidados É para mim motivo de grande satisfação estar presente na abertura deste Seminário sobre a Contratação Pública, um tema de grande importância na actual fase de aperfeiçoamento e consolidação das instituições políticas e sociais no nosso país. Este evento, assim como outros que se têm vindo a realizar por todo o território nacional, reflecte a decisão inabalável do Chefe do Executivo em implementar na Administração Pública práticas consistentes com os valores filosóficos, éticos e morais consagrados na Constituição da República, como parte do processo irreversível de consolidação do Estado Democrático e de Direito no nosso país.
Essa obra gigantesca é tanto mais urgente quanto o é a necessidade de se reintegrar aos benefícios da sociedade organizada toda uma geração de angolanos que pagou o seu heróico tributo de sacrifícios para que Angola alcançasse a independência e a paz definitiva. Para além dessa premência de natureza interna, com forte conteúdo de justiça social, Angola tem pressa também em mostrar aos angolanos e à comunidade internacional o seu compromisso com os postulados da livre iniciativa económica e com os princípios da boa governação, praticando a Contratação Pública sob os ditames da aplicação eficiente dos recursos públicos, da transparência e da justiça. . Neste compromisso, ganha realce a implantação de uma Gestão Pública de Qualidade, que deve ser exercida não como um acto voluntário dos detentores da função pública, mas sim como um Dever do Estado para atender a um Direito da Sociedade. A Gestão Pública de Qualidade não é certificada apenas pela boa governação macroeconómica, domínio em que Angola tem vindo a realizar progressos evidentes desde o fim da guerra. Mede-se também pela sua subordinação a um arcaboiço jurídico e institucional que assegure um regime de Contratação Pública dotado de padrões de Eficácia, Eficiência e Efectividade. No âmbito da Eficácia, a Contratação Pública deve ser capaz de levar a bom termo o uso eficaz dos recursos do Orçamento Geral do Estado (OGE), garantindo a realização de obras e a aquisição de bens e serviços nos prazos e condições estabelecidos. No âmbito da Eficiência, a Contratação Pública deve garantir o menor custo possível, a melhor qualidade e o menor prazo de execução das referidas obras e aquisições. No âmbito da Efectividade – que serve de corolário aos demais âmbitos - a Contratação Pública deve prosseguir o mais elevado grau de satisfação da sociedade em relação aos serviços públicos providos com as obras e aquisições realizadas. Os resultados destas três práticas podem ser sintetizados no binómio Concorrência + Probidade, ou seja, na combinação dos postulados da livre iniciativa económica com os princípios da moralidade no uso dos recursos públicos. A observância desse binómio torna-se cada vez mais possível nesta Angola em plena fase de modernização das suas instituições políticas e sociais e de formação e qualificação acelerada dos seus recursos humanos. Entretanto, no âmbito da Contratação Pública, alcançar padrões de qualidade é uma tarefa particularmente desafiadora, na medida em que a dinâmica dos mercados é orientada para a maximização dos lucros, enquanto ao Governo incumbe buscar o menor preço combinado com a melhor qualidade. A par disso, é próprio do Estado Democrático de Direito que aos agentes privados se faculte fazer tudo aquilo que a Lei não proíba, enquanto aos agentes públicos faculta-se fazer só aquilo que a Lei autoriza. Para harmonizar este quadro de interacção, aparentemente conflituoso, as sociedades democráticas valem-se de uma legislação reguladora adequada, capaz de combinar o direito à concorrência nos mercados com o exercício da probidade na função pública. Tal legislação deve proporcionar a contínua ampliação do universo de fornecedores habilitados a participar do concurso público, porém assegurando regras igualitárias de acesso e de julgamento das propostas. Para ambas as partes – os agentes privados e os agentes públicos – é fundamental conhecerem bem a legislação reguladora quer da Concorrência e dos Mercados, quer da Contratação Pública, para evitar-se que concursos sejam anulados por falha processual, comprometendo a sua Eficácia e Eficiência, ao se atrasar a realização das obras e aquisições e gerar acréscimo de despesas com a realização de um novo concurso para a mesma finalidade. Para prevenir tais problemas, a legislação sobre a Contratação Publica deve ser cuidadosamente discutida e elaborada, de forma a garantir a sua perfeita compreensão pelos agentes públicos e privados. Neste contexto se enquadra a realização deste Seminário, cujo objectivo principal é, além de divulgar o projecto, receber as contribuições dos principais agentes que intervêm neste processo de aquisições públicas. Por outro lado, é importante ter em conta que a nossa legislação sobre a Contratação Pública precisa de merecer a confiança, também, da comunidade internacional. Se as instituições multilaterais de crédito e os fornecedores internacionais confiarem na licitude e na segurança jurídica dos nossos concursos, de certeza que aumentaremos o acesso do país às linhas de crédito concessionais e reduziremos os custos das obras e aquisições. Por esta razão, o Executivo cuidou de elaborar os anteprojectos da Lei da Contratação Pública e do Decreto Presidencial que cria o Gabinete da Contratação Pública, para atender à necessidade de adequar o nosso sistema à nova realidade constitucional, uniformizando a disciplina jurídica aplicável à contratação de empreitadas de obras públicas e à aquisição de bens e serviços por entidades públicas. Os referidos projectos de diploma visam aos seguintes objectivos:
Tenho a certeza de que este Seminário vai oferecer aos seus Participantes a oportunidade de aprofundarem o conhecimento desses projectos de diploma e a reflexão sobre a sua importância transcendental para o nosso país, nomeadamente na perspectiva de contribuir para a implantação de uma Gestão Pública de Qualidade. Dou por aberto o presente Seminário, desejando a todos amplo sucesso e que ele seja uma alavanca não só para o sucesso pessoal de cada um de vós, mas também um poderoso estímulo para o envolvimento de todos os gestores públicos na construção desta nova Angola que queremos oferecer às gerações futuras e, aproveito ainda a oportunidade de antecipar os meus sinceros votos de agradecimentos pelas vossas valiosas contribuições que irão prestar durante os trabalhos.
Pela vossa atenção, o meu muito obrigado. |


